quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Motivo?

Às vezes gostaria de odiar a todos que de certa forma não me ajudaram ou não me ajudam

Não sei o motivo,mas não consigo, fica apenas uma melancolia que só eu escuto e claro alguns amigos que suportam

Também não faço da falta de ajuda muletas para não seguir

Sigo e perdoo

Vou do extremo norte ao sul

Escrevo e escondo

Leio e guardo

Penso e esqueço

Estudo e não consigo

Canto e não encanto

Trabalho e não convenço

Danço... mentira, não sei fazer isso

Com estes cacos que me restam tento fazer um mosaico

E com as lembranças triste impossíveis de serem apagadas uma releitura

Também me perdoo...

Algumas vezes também não me ajudei e parece que não estou me ajudando

Não sei o motivo...

Rose Guedes

sábado, 13 de novembro de 2010

Poema do tamanho - Ricardo Azevedo

Sábado é um dia diferente. O nosso ar parece que muda, mesmo naqueles sábados que trabalhamos. Eu particularmente faço as coisas que mais me dão prazer aos sábados.

Por exemplo hoje, sábado, estou trabalhando e por estar trânquilo estou lendo. Acabei de saborear um poema, talvez um fraquimento dele, não sei ao certo. Só sei que assim que sair daqui vou passar em uma livraria e comprar o livro que tem esse poema. Depois do poema deixo todas as informações pra quem gostou.

Vamos ao poema!

Poema do tamanho

Será que o tamanho é bom?
Será que o tamanho deu?
Pra mim, o melhor tamanho
Vai ser o tamanho meu.

Mais alto que um gigante
Mais baixo que um pigmeu
Pra mim, o melhor tamanho
Vai ser o tamanho meu.

Tanto faz medir com régua
Tem gente maior que eu
Pra mim, o melhor tamanho
Vai ser o tamanho meu.


Tanto faz medir com a fita
Tem gente menor que eu
Pra mim, o tamanho certo

Pra mim o tamanho exato
Pra mim o melhor tamanho
Vai ser o tamanho meu!

------

http://migre.me/2bxDA

Ah, Segundo Gabriel Perissé escreveu na revista Educação nº162, o poeta intui neste poema que o tamanho de cada um é o critério mais adequado para avaliações. E você o que acha disso? Quem quiser a matéria completa é só me enviar um e-mail!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Cozinhar



Ultimamente desatei a testar minhas habilidades culinárias. Sempre gostei de testar novas receitas, fazer pratos que nunca tinha experimentado, mas por causa de outras coisas que eu priorizava fazia um tempinho que as receitas não passavam diante dos meus olhos. Agora, animadíssima não me importo com o horário e mando vê e pronto. Minha última jornada foi domingo, comecei a fazer meus muffins e cupcakes às 22h00 e só terminei às 2h00 da madrugada. E pasmem fui tirar um cochilo e acordei mais animada ainda para trabalhar às 6h00.
O incrível disso, pelo menos para mim, é que aprendo sobre a vida cozinhando! Talvez aprender seja muito, mas refletir sobre ela certeza que não é pouco. E não é só o fato de cozinhar em si que me faz refletir, e sim tudo que envolve isso. Procurar por ingrediente diferentes, e por causa disso ir a lugares diferentes e conhecer pessoas diferentes, perceber o quanto as pessoas gostam de ajudar e indicar produtos realmente bons. Enfim, muitas coisas, pessoas, sabores, reflexões e surpresas.

domingo, 15 de agosto de 2010

Programa 1 milhão de rodas

Olá galera, tudo bom?

Estou aqui para apresentar o Programa 1 Milhão de Rodas da Fundação Dixtal.

Estamos precisando de voluntários e quem se interessar pela proposta do trabalho e tiver disposição e disponibilidade, SEJA MUITO BEM-VINDO(a)!!!!!! rs

A Fundação Dixtal atua há 11 anos promovendo ações socioeducativas no Jardim São Luis, Zona Sul de São Paulo. O Programa 1 Milhão de Rodas, eixo de trabalho da Instituição, encanta e forma voluntários para mediar Rodas de Leitura dentro de escolas, ONGs, bibliotecas e outras instituições com objetivo de promover o encantamento pelo livro, pela leitura e aquisição de novos conhecimentos; acolher e integrar a diversidade étnica e sociocultural; fortalecer a formação de pessoas para uma cultura de relacionamentos colaborativos(fazer juntos).

Para a realização das Rodas, contamos com parceiros como a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Secretaria de Cultura de Embu das Artes, Fundação Casa, e muitos outros que acolhem as Rodas e os voluntários, disponibilizando seu espaço e público - crianças, jovens, adultos e terceira idade.

A Fundação oferece ao voluntário formação específica para as atividades, acervo de livros, mochila, camiseta, material de apoio, orientação pedagógica e acompanhamento próximo durante todo o processo de trabalho nas Rodas. Para se candidatar é preciso ter mais de dezesseis anos, disponibilidade durante uma hora e meia por semana, ter interesse genuíno pela diversidade humana e gostar de trabalhar com pessoas.

Saiba mais:

Site - www.fundacaodixtal.org.br

Vídeo - http://www.fundacaodixtal.org.br/prog.asp

Qual é o papel do voluntário dentro do Programa 1 Milhão de Rodas?
O voluntário trabalhará como mediador de Rodas de Leitura uma vez por semana com grupos de 10 a 13 participantes (crianças, jovens ou adultos), durante aproximadamente uma hora e meia, dentro de escolas públicas e organizações não governamentais no Jardim São Luís – zona sul de São Paulo e regiões próximas.

Mas o que faz o Mediador de Roda?
Seu trabalho é fazer uma aproximação, é construir uma ponte entre o que o participante leitor sabe e conhece com aquilo que o texto apresenta de novo e fascinante, sempre de forma lúdica, encantadora.

O que é preciso para ser Voluntário?

A idade mínima para ser um voluntário mediador é de 16 anos;

Não é preciso nenhuma habilidade, formação ou experiência específica, apenas gostar de trabalhar com pessoas e ser apaixonado pelo livro e pelo conhecimento;

Participar do curso de formação que a Fundação oferece gratuitamente, distribuído em dois dias, geralmente dois sábados consecutivos, ou outra data conforme adesão;

Dispor de uma hora e meia, uma vez por semana para atuar nas Rodas, sempre no mesmo local, dia e horário;

Durante o trabalho voluntário, participar dos encontros que a Fundação promove gratuitamente – troca de experiências entre voluntários, encontros com autores, oficinas, palestras, entre outros.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Um segredo...que nunca revelei

Tenho uma ternura especial pelas coisas fracas, que não sabem ou não conseguem se defender. E não só a fraqueza física: são as humilhações silenciosas que dilaceram a alma dos fracos.

Costumava caminhar num jardim que terminava em frente a uma escola. Observava meninos e meninas que iam juntos, bonitos, esbanjando alegria. Mas havia uma menina muito gorda que caminhava sempre só. Nunca vi um gesto dos alegres e bonitos convidando-a a juntar-se ao grupo. E ela nem tentava. Havia outra, magra, alta, sem seios, rosto coberto de espinhas, encurvada como se quisesse esconder-se dentro de si.

Ficava pensando que havia nelas uma mocinha que desejava ser amada. O que pensavam quando iam para a cama? Certamente choravam. Mas essas percepções não passavam pela cabeça dos outros.

No Ginásio era assim também. Os bonitos se juntavam. Os feios eram deixados de lado. Um incidente ocorrido há 60 anos continua vívido na minha cabeça. Era uma moça feia, desengonçada, magra. Jamais a vi conversando com um menino ou sorrindo. Entrava na sala e ia para sua carteira, encostada na parede. Um dia, chegou atrasada, a turma já assentada. Não havia jeito de se esconder, desfilou diante de todos. E foi então que um colega deu um daqueles assobios... A classe estourou na gargalhada. Ela continuou a caminhar, as lágrimas escorrendo.

Tive vontade de berrar, um grito de ódio, mas nada fiz. Porque também era fraco e feio e ridículo. Ela é a única colega cujo nome não me esqueci. Suas iniciais eram I.K. Eu era novo no Rio de Janeiro, vindo do interior de Minas, onde ir à escola de sapato era um luxo. Fui ao colégio no primeiro dia de aula com sapato sem meia. Todos riram. No dia seguinte, fui de meia. Não adiantou. Riram-se do meu sotaque caipira. Tornei-me vítima dos valentões. Apanhei muito em silêncio porque não sabia me defender. Não tinha a quem apelar. Acontecia na rua, fora do olhar dos professores. Meus pais não saberiam o que fazer. Minha mãe me daria o único conselho que sabia dar: "Quando um não quer dois não brigam". É verdade, quando um não quer, um bate e o outro apanha.

Uma pessoa querida me disse que tenho raiva das mulheres. Fico a pensar se essa raiva não tem raízes na minha mãe, que só me ensinava a não reagir, que desejava que eu fosse fraco e não enfrentasse a luta. A pancada que mais doeu foi dada por um colega que se dizia filho de governador, rico, arrogante, ouro nos dentes. Sem motivo, na hora do recreio veio até mim e disse: "Você é ridículo..."

Essas experiências não podem ser esquecidas. A gente faz força para não as revelar, por vergonha. Durante toda a vida, foram um segredo só meu. Nunca as contei nem para os amigos mais íntimos. É a primeira vez que as revelo.

Fui me enchendo de vergonha e de humilhação. Daí nasce o ódio. À medida que crescia e me tornava adulto, esses sentimentos criaram em mim um lado que não suporta a injustiça dos fortes contra os fracos. O que me leva, por vezes, a fazer coisas imprudentes a favor dos fracos, mesmo com risco de ser agredido.
Mas há algo que me magoa. É como se a minha pele de ternura, de voz baixa, de poesia, que deseja proteger as coisas fracas, morasse no mesmo quarto onde mora esse jeito bravo. E, de vez em quando, sem me dar conta, fico irônico, impaciente, a voz se encrespa. Imagino que isso aconteça quando, lá no meu inconsciente, onde mora o menino ridículo que apanhava, o sentimento de humilhação aparece. Magoei muitas pessoas com esse meu jeito, algumas de forma irremediável. Por isso estou triste. Mais triste porque sei que hoje, no mundo todo, os fracos são humilhados e apanham...


Rubem Alves Educador e escritor

domingo, 30 de maio de 2010

Mosaico

Mosaicos são obras de arte. São feitos com cacos. Os cacos, em si, nada significam. Não têm beleza alguma. São peças de um quebra-cabeças. É preciso que um artista junte os cacos segundo o seu desejo. As Escrituras Sagradas são um livro cheio de cacos: poemas, estórias, mitos, pitadas de sabedoria, relatos de acontecimentos. Quem lê junta os cacos segundo manda o seu coração. Os mosaicos podem ser bonitos ou feios. Tudo depende do coração do artista.