quinta-feira, 11 de julho de 2013

O sentido



















Parece-me que o sentido veio ao mundo antes de mim
Antes de nascer, de a minha consciência existir
O meu físico, o meu interior já era afetado
Nasci pura de mim e cheia de outros

Parece-me que viver é se encontrar em si mesmo
O outro se tornou em mim e eu me tornei nele

Parece-me que assim tudo se explica e se complica

Parece-me que tudo se resolve e envolve

ele
nele
ela
nela

eu
em mim

nós

em nós

terça-feira, 2 de abril de 2013

Folha em branco...


Folha em branco...
Como é difícil iniciar um texto
Várias tentativas
Vários backspaces

Não dá para copiar os outros
Plágio
Não dá para seguir conselhos de outros
A história é outra
Não dá para se inspirar neles
É perigoso o decalque

Mesmo que digam que tudo se copia
Nunca vi a vida se repetindo
Piora
Melhora
Parece, mas não é
É? Não parece

Então, escreverei:
Quase plagiando
Tentando seguir os conselhos
Percebendo o que me inspira
Sabendo que de alguma maneira inovarei
Sendo semelhante
Achando que sei
Sabendo que não sei
Contudo, que eu não deixe de escrever

sexta-feira, 1 de março de 2013

Meu inferno mais íntimo

(04/06/2012) 

Um jovem rabino, angustiado com o destino da sua alma, conversava com seu mestre, mais velho e mais sábio, em algum lugar do Leste Europeu entre os séculos 18 e 19. Pergunta o mais jovem: “O senhor não teme que quando morrer será indagado por Deus do porquê de não ter conseguido ser um Moisés ou um Elias? Eu sempre temo esse dia“.

O mestre teria respondido algo assim: “Quando eu morrer e estiver na presença de Deus, não temo que Ele me pergunte pela razão de não ter conseguido ser um Moisés ou um Elias, temo que Ele me pergunte pela razão de eu não ter conseguido ser eu mesmo“.

Trata-se de um dos milhares de contos hassídicos, contos esses que compõem a sabedoria do hassidismo, cultura mística judaica que nasce, “oficialmente”, com o Rabi Baal Shem Tov, que teria nascido por volta de 1700 na Polônia.

A palavra “hassidismo” é muito próxima do conceito de “Hesed”, piedade ou misericórdia, que descreve um dos traços do Altíssimo, Adonai (“Senhor”, termo usado para se referir a Deus no judaísmo), o Deus israelita (que, aliás, é o mesmo que “encarnou” em Jesus, para os cristãos). Hassídicos eram conhecidos como “bêbados de Deus”, enlouquecidos pela piedade divina (e pela vodca que bebiam em grandes quantidades para brindar a vida…) que escorre dos céus para aqueles que a veem.

São muitas as angústias de quem acredita haver um encontro com Deus após a morte. Mas ninguém precisa acreditar em Deus ou num encontro como esse para entender a força de uma narrativa como esta: o primeiro encontro, em nossa vida, que pode vir a ser terrível, é consigo mesmo. Claro que se Deus existe, isso assume dimensões abissais.

Para além do fato óbvio de que o conto fala do medo de não estarmos à altura da vontade de Deus, ele também fala do medo de não sermos seres morais e justos, como Moisés e Elias, exemplos de dois grandes “heróis” da Bíblia hebraica. Ser como Moisés e Elias significa termos um parâmetro moral exterior a nós mesmos que serviria como “régua”.

A resposta do sábio ancião ao jovem muda o eixo da indagação: Deus não está preocupado se você consegue seguir parâmetros morais exteriores, Deus está preocupado se você consegue ser você mesmo. Não se trata de pensar em bobagens do tipo “Deus quer que você seja feliz sendo você mesmo” como pensaria o “modo brega autoestima de ser”, essa praga contemporânea. Trata-se de dizer que ser você mesmo é muito mais difícil do que seguir padrões exteriores porque nosso “eu” ou nossa “alma” é nosso maior desafio.

Enfrentar-se a si mesmo, reconhecer suas mazelas, suas inseguranças e ainda assim assumir-se é atravessar um inferno de silêncio e solidão.

Ninguém pode fazer isso por você, é mais fácil copiar modelos heroicos, por isso o sábio diz que Deus não quer cópias de Moisés e Elias, mas pessoas que O enfrentem cara a cara sendo quem são. Podemos imaginar Deus perguntando a você se teve coragem de ser você mesmo nos piores momentos em que ser você mesmo seria aterrorizante. Aí está o cerne da “moral da história” neste conto.

Noutro conto, um justo que morre, chegando ao céu, ouve ruídos horrorosos vindo de uma sala fechada. Perguntando a Deus de onde vem aquele som ensurdecedor, Deus diz a ele que vá em frente e abra a porta do lugar de onde vem a gritaria. Pergunta o justo a Deus que lugar seria aquele. Deus responde: “O inferno”. Ao abrir a porta, o justo ouve o que aqueles infelizes gritavam: “Eu, eu, eu…”.

Ao contrário do que dizia o velho Sartre, o inferno não são os outros, mas sim nós mesmos. Numa época como a nossa, obcecada por essa bobagem chamada autoestima, ocupada em fazer todo mundo se achar lindo e maravilhoso, a tendência do inferno é ficar superlotado, cheio de mentirosos praticantes do “marketing do eu”.

Casas, escritórios, academias de ginásticas, igrejas, salas de aula, todos tomados pelo ruído ensurdecedor do inferno que habita cada um de nós. O escritor católico George Bernanos (século 20) dizia que o maior obstáculo à esperança é nossa própria alma. Quem ainda não sabe disso, não sabe de nada.

Luiz Felipe Pondé (jornal FSP )

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O meu canto


Canto...
Porque a vida é bonita
Porque transformo a tristeza em poesia
Porque reparto a alegria
Porque me declaro sem me sentir ridícula
Porque além de ouvir, alguém me sente

Meu canto é...
Uma risada escandalosa
Um grito incontido
Um abraço apertado
Um choro ardido
Um tímido passarinho

É tudo o que sou
Errado, certo, incompleto, esperto, lerdo, rápido, atrasado
Fora do tempo
Afinado, desafinado, semitonado
Agudo, grave
Fanho? Sim
Sem alma, a flor da pele
Distante, grudado
Garganta, diafragma 

É invasão
Bagunça
Perturbação!

Calma

Paz

Canto...
Porque quero deixar a vida bonita


by Rose Guedes - 30/01/2013

sábado, 27 de outubro de 2012

Conhecendo Mia Couto

Nunca tinha lido Mia Couto. O conhecia por amigos e algumas frases de twitter. Ah! Acho que passei por ele em algum momento da graduação, quando assisti o documentário: Língua – Vidas em Português. 

Sei que não posso dizer que agora o conheço apenas por ter lido um livro dele, porém posso dizer que estou apaixonada! E quando estamos apaixonados perdemos o juízo e acabamos achando o normal, o bonitinho e o comum uma “absurdeza” de maravilhoso. Só que dessa vez acho que me apaixonei por um autor incrível, acima da média. 

O livro lido foi: O fio das missangas. Um livro com 29 contos, recheado de fantasias, lindas histórias, belas imagens e palavras divertidas. 

Recomendo! E deixo uma frase twitável:
 “A missanga todos a vêem. Ninguém nota o fio que, em colar vistoso, vai compondo as missangas. Também assim é a voz do poeta: fio de silêncio costurando o tempo”.


@roseguedes

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Gustavo Lima e você


Uau, tanto tempo que não passo por aqui...Hoje o Matutando escolheu Gustavo Lima e você. Texto de um amigo que quando escreve sempre me leva a matutar. Espero que à você também!

Boa matutada!



Gustavo Lima e você

O Brasil é a sexta maior economia do mundo. Nós ultrapassamos o Reino Unido. Nosso PIB é de US$ 2,48 trilhões, enquanto o do Reino Unido é de US$ 2, 26 trilhões.

Algumas pessoas receberam essa notícia, no fim de 2011, com entusiasmo. Quando o banco alemão WestLB noticiou o ranking das maiores economias do mundo, muitos brasileiros abriram sorriso de orelha a orelha. Contudo, eu não. Recebi a notícia com desconfiança e lamento.

Na minha opinião, Weber acertou quando teorizou sobre a autonomia das esferas da realidade. Economia e política são esferas distintas e autônomas, e aqui está a razão do meu lamento. Enquanto a esfera econômica brasileira ascende, a política se desgasta e degrada sistematicamente.

O Brasil tem uma das piores distribuições de renda do mundo. Para mostrar a gravidade em detalhes, alguns dados: segundo o mais recente relatório sobre Desenvolvimento Humano divulgado pela ONU, o Brasil é o décimo pior entre os cento e vinte e seis países considerados para a realização do relatório. Nós temos a terceira pior distribuição de rendas da região latino americana e caribenha. Piores que nós, apenas a Bolívia e o Haiti.

É de corar as bochechas de qualquer pessoa de bom senso, afinal, estamos falando da sexta maior economia do mundo!

Distribuição de renda é problema político. De que adianta uma economia em ascensão e uma política desse nível? Poderia escrever sobre vários outros problemas políticos do Brasil, mas não considero necessário para o meu argumento, uma vez que a má distribuição de renda está intimamente ligada com a pobreza e a fome – e não há problemas políticos mais relevantes.

O Brasil atual enriquece, mas apenas o bolso dos que já eram ricos. A distribuição de renda brasileira é a denúncia de que o pobre continua pobre, quando não mais pobre do que era. O acesso das classes mais baixas à linhas de crédito, que permitem adesão de bens de consumo, é apenas uma cortina de fumaça para distrair a massa do real problema político brasileiro.

Mas essa cortina de fumaça não tem razões econômicas apenas. Há ainda outros que ajudam a mantê-la, para parecer que está tudo bem: Michel Teló, Gustavo Lima e tantos outros milhões de imbecis que cantam “me dá um tchu, me dá um tchá”. Nesse esquema idiota e idiotizante, tipo pão e circo, os brasileiros vão festejando sua própria miséria política e humana.

O que acontece com os brasileiros? O que aconteceu com aqueles que lutaram contra a ditadura militar? O que aconteceu com aqueles que lutaram pelo voto direto? Que tipo de apatia se abateu sobre esse povo que já derrubou sistemas políticos perversos? O Brasil tem um dos piores índices de corrupção política do mundo!

Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra a igreja, mas só disse isso porque não conhecia a igreja evangélica brasileira. Se conhecesse, teria hesitado. Os evangélicos seguem emudecidos diante da injustiça social que testemunham. Em terras tupiniquins as portas o inferno prevaleceram em forma de silêncio, descaso e insensibilidade contra a igreja que se diz de Jesus.

Os evangélicos confundem as coisas, acham que quando a Bíblia diz que Deus criou todas as coisas, era sobre o Cachoeira que ela estava falando! Essa leitura literal da Bíblia sempre atrapalhando tudo...

O Brasil é uma vergonha política. E o nosso povo dá de ombros para isso, inventando alguma nova coreografia ridícula que envolve bunda e rebolado ... Nossa, nossa, assim você me mata. Nos mata.

Lidero, junto com mais alguns amigos, um pequeno grupo de jovens numa igreja evangélica chamada Betesda. Desde o começo do ano, os líderes desse grupo acharam relevante discutir política em nossas reuniões, pois além de ser ano eleitoral, é necessário dar início ao debate político entre jovens, ainda mais os que estão dentro de uma igreja. A ideia ganhou o nome de Política JB (Jovens Betesda). Reservamos um sábado por mês para esse programa. Desejávamos que o debate inflamasse o grupo e o colocasse em movimento político de engajamento social... Mas não aconteceu. Dos sessenta jovens que frequentam normalmente nossas reuniões semanais, menos de trinta aparecem no Politica JB, provavelmente por considerarem irrelevante discutir política, ainda mais dentro da igreja. O que é isso, senão um retrato fiel da mentalidade política brasileira?

Na América Latina, nosso país só ganha da Bolívia e do Haiti em justa distribuição de renda, e tem uma cambada de brasileiros descerebrados que acham que política não é importante!

Minha indignação é tanta, que já tive vontade de desistir algumas vezes. Mas graças aos meus bons amigos politizados continuo – alguns dentro do grupo de jovens que lidero, organizando doações de sangue; outros fora da igreja, lutando por movimentos de reforma política. Eles ainda me inflamam e me colocam em movimento.

Existe uma expectativa que até 2015 o Brasil se torne a quinta maior economia do mundo, ultrapassando a França – onde crianças de pais ricos e pobres frequentam as mesmas escolas, enquanto no Brasil, a educação pública está entre as piores do mundo...

Intitulei o texto de “Gustavo Lima e você” para que as pessoas lessem. Se eu colocasse algo como “política e economia no cenário brasileiro” meu e-mail iria direto para a lixeira da maioria. Desculpe se não é o seu caso, não quis te nivelar por baixo... Foi uma atitude desesperada.


Lucas Lujan

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Transformação

Todo dia é um recomeço
Todo dia é um renascimento
Não que tudo que é vivo nasce e morre no mesmo dia
Entretanto, tudo que é vivo muda a cada dia
E se muda passou ser outra coisa
Uma coisa que não era ontem

Ontem éramos calmos ou bravos
Hoje o que você é?
Não me diga que continua o mesmo!
Ou você insiste em ser o mesmo?
Tudo bem, você tem esse direito
Só não venha me dizer que é tudo assim
Você nem parou para perceber

Perceber é um mistério
Parar é proibido
Ai mora o perigo
De continuar sempre tendo
“aquela velha opinião formada sobre tudo”